Sunday, February 25, 2007

Um quadrado vidrado, com vidrado de mim...

Faltou a luz.
A escuridão instalou-se. Do Céu, apenas as estrelas me indicavam o caminho. A escada era longa. O muro ria ao luar. Ouviam-se passos. O vento soprava. Queria descer. Não conseguia. Uma nuvem, de repente, encobrira a lua. Ficara ainda mais escuro. Sentia a respiração. Ofegava. O uivo do cão vinha de longe e o vento empurrava-me para cima. O casaco desprendera-se e agora, sem botão, apertava-o contra mim. Descia mais um degrau. As garrafas rolavam no pátio. O barulho era infernal. As portas batiam, abriam e fechavam. E o vento, enfurecido, empurrava-me de novo. Dos meus olhos soltou-se uma lágrima, da minha boca um grito. No chão, ficara um quadrado vidrado, vidrado de mim ... eu ... um azulejo com a cor do céu

No comments: